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Águas
Subterrâneas
Nossa Diretoria Técnica da Divisão de Águas
Subterrâneas é comandada pelo Engº. Carlos
Alberto Ferreira,
Gerente de Logística e Coordenador
Operacional das Equipes de Emergências da
SERVMAR Engenharia Ambiental.
A água subterrânea é a
parcela da água que permanece no subsolo,
onde flui lentamente até descarregar em
corpos de água de superfície, ser
interceptada por raízes de plantas ou ser
extraída em poços. Tem papel essencial na
manutenção da umidade do solo, do fluxo dos
rios, lagos e brejos. A água subterrânea é
também responsável pelo fluxo de base dos
rios, sendo responsável pela sua perenização
durante os períodos de estiagem. Essa
contribuição em todo o mundo é da ordem de
13.000 km3/ano (World Resources Institute,
1991 in Rebouças, 1999), quase 1/3 da
descarga dos rios.
Em determinadas áreas, como regiões áridas e
certas ilhas, a água subterrânea pode ser o
único recurso hídrico disponível para uso
humano. Geralmente ela dispensa tratamento,
economizando na execução de grandes obras
como barragens e adutoras. Mais da metade da
população do mundo depende da água
subterrânea para suprimento de suas
necessidades de água potável.
As águas subterrâneas estão contidas nos
solos e formações geológicas permeáveis
denominadas aqüíferos. Existem três tipos
primários de aqüíferos:
Aqüífero poroso -
aquele no qual a água circula nos poros dos
solos e grãos constituintes das rochas
sedimentares ou sedimentos;
Aqüífero cárstico – aquele no qual a água
circula pelas aberturas ou cavidades
causadas pela dissolução de rochas,
principalmente nos calcários;
Aqüífero fissural - aquele no qual a água
circula pelas fraturas, fendas e falhas nas
rochas.
Aqüíferos Livres e Confinados
As formações geológicas portadoras de água
superpostas por camadas impermeáveis são
denominadas aqüíferos confinados. O seu
reabastecimento ou recarga, através das
chuvas, dá-se somente nos locais onde a
formação aflora à superfície. Neles o nível
hidrostático encontra-se sob pressão,
causando artesianismo nos poços que captam
suas águas. Já os aqüíferos livres são
aqueles constituídos por formações
geológicas superficiais, totalmente
aflorantes, portanto com a recarga no
próprio local, em toda a extensão da
formação. Os aqüíferos livres têm a chamada
recarga direta e os aqüíferos confinados, a
recarga indireta.
Funções dos Aqüíferos
Além da função de produção, os aqüíferos
podem cumprir algumas outras funções, como:
Função estocagem e regularização
Corresponde à utilização do aqüífero para
estocar excedentes de água que ocorrem
durante as enchentes dos rios,
correspondentes à capacidade máxima das
estações de tratamento durante os períodos
de demanda baixa, ou referentes ao reuso de
efluentes domésticos e/ou industriais. Esses
volumes infiltrados serão bombeados durante
as picos sazonais de demanda durante
períodos de escassez ou situações de
emergência resultantes de acidentes naturais
como avalanches, enchentes e outros tipos de
acidentes que reduzem a capacidade do
sistema básico de água da metrópole.
Função filtro
Corresponde à utilização da capacidade
filtrante e de depuração biogeoquímica do
maciço natural permeável. Para isso são
implantados poços a distâncias adequadas de
rios perenes, lagoas, lagos ou
reservatórios, para extrair água
naturalmente clarificada e purificada,
reduzindo substancialmente os custos dos
processos convencionais de tratamento.
A Gestão Sustentável da Água
A água é um dos recursos naturais mais
importantes, cuja utilização deve ser feita
de maneira a não comprometer a
disponibilidade para as gerações futuras.
Sua disponibilidade é hoje limitada não
apenas quanto à quantidade mas também pela
qualidade. Um dos maiores desafios atuais
para o desenvolvimento sustentável será
minimizar os efeitos da escassez permanente
ou sazonal e da poluição da água. A água
para a conservação dos ecossistemas também
deverá receber mais atenção como tema
sócio-político. Será imprescindível que os
novos projetos para atender a demanda sejam
concebidos dentro de uma perspectiva de
sustentabilidade econômica, social e
ambiental. A solução vai exigir tanto a
exploração cuidadosa de novas fontes, quanto
medidas para estimular o uso mais eficiente
da água (Salati, Lemos e Salati, 1999).
Para enfrentar os desafios da escassez e da
poluição, a grande ferramenta será a gestão
do suprimento e da demanda de água. A gestão
do suprimento significa a adoção de
políticas e ações relativas à quantidade e
qualidade da água desde sua captação até o
sistema de distribuição. A perspectiva de
suprimento a partir de águas de superfície
vem se tornando cada dia mais difícil, em
virtude do crescimento dos custos de
construção, devido às distâncias cada vez
maiores dessas fontes, exigindo obras de
grande porte e complexidade, além de
acirrada oposição dos ambientalistas. A
gestão da demanda trata do uso eficiente e
de ações para evitar o desperdício. Dessa
forma além de medidas para reduzir o índice
elevado de perdas nas redes públicas, mas
também a adoção de práticas e técnicas mais
racionais de uso, a exemplo da irrigação por
gotejamento na agricultura (Salati, Lemos e
Salati, 1999).
O Papel Estratégico das Águas Subterrâneas
Perfazendo 97,5% da água doce acessível
pelos meios tecnológicos atuais, com um
volume de 10,53 milhões de km3, armazenado
até 4.000 metros de profundidade (Rebouças,
1999), as águas subterrâneas tornam-se
estratégicas para a humanidade. Além de mais
protegidas contra a poluição e os efeitos da
sazonalidade, apresentam em geral boa
qualidade, decorrente do “tratamento” obtido
da sua percolação no solo e subsolo. Seu
aproveitamento tem se revelado uma
alternativa mais econômica, evitando custos
crescentes com represas e adutoras e
dispensando tratamento, na maioria dos
casos.
A UNESCO avalia que 75% do abastecimento
público da Europa seja feito por água
subterrânea, índice que chega de 90 a 100%
na Alemanha, Áustria, Bélgica, Holanda e
Suécia. Após o acidente nuclear de
Chernobyl, seu uso tende a crescer por terem
se revelado uma via mais segura. Nos Estados
Unidos são extraídos mais de 120 bilhões de
m3/ano, atendendo mais de 70% do
abastecimento público e das indústrias. No
Brasil, um grande número de cidades de
pequeno e médio porte do sul do país, suprem
suas necessidades de água a partir do
Aqüífero Guarani, o maior do mundo, com uma
reserva de 48.000 km3 (Rebouças, 1999),
sendo 80% de sua ocorrência em território
brasileiro. Capitais estaduais como São
Luís, Maceió e Natal são abastecidas por
água subterrânea, assim como 80% das cidades
do Estado de São Paulo.
A Gestão das Águas Subterrâneas
A gestão das águas subterrâneas não pode ser
dissociada da das águas superficiais, haja
visto as duas possuírem uma inter-relação na
fase líquida do ciclo hidrológico. Nesses
termos, as duas poderiam ser consideradas
como tão somente a água em sua fases
superficial e subterrânea. Ou seja, a água
subterrânea tanto pode tornar-se superficial
nas nascentes de um rio ou alimentando-o
pela base, como um rio pode alimentar um
reservatório natural de água subterrânea,
como costuma acontecer em certas regiões de
clima seco. Este pressuposto, sustenta a
moderna visão de gestão integrada da água,
entrando os dois tipos de água na
contabilidade geral das disponibilidades
hídricas.
Apesar de abundante, a água subterrânea não
é inesgotável e, como qualquer recurso
natural, tem que ser conservada e usada
adequadamente para assegurar a
disponibilidade no futuro. No seu caso
particular, a conservação deve
compatibilizar o uso com as leis naturais
que governam a sua ocorrência e reposição. A
água subterrânea pode ser retirada de forma
permanente e em volumes constantes, por
muitos anos, dependendo do volume armazenado
no subsolo e das condições climáticas e
geológicas de reposição. A água contida em
um aqüífero foi acumulada durante muitos
anos ou até séculos e é uma reserva
estratégica para épocas de pouca ou nenhuma
chuva. Se o volume retirado for menor do que
a reposição a longo prazo, o bombeamento
pode continuar indefinidamente, sem provocar
efeitos prejudiciais. Se, por outro lado, o
bombeamento exceder as taxas de reposição
natural, começa-se a entrar na reserva
estratégica, iniciando um processo de
rebaixamento do lençol freático, chamado
superexplotação. Quando a captação
localiza-se em áreas litorâneas todo o
cuidado deve ser tomado para evitar a
intrusão da água do mar infiltrada,
provocando a salinização da água dos poços
e, em alguns casos de todo o aqüífero na
faixa costeira.
Embora mais protegidas, as águas
subterrâneas não estão a salvo da poluição e
seu aproveitamento envolve um planejamento
técnico criterioso, com base no conhecimento
de cada ambiente onde se localizam e de suas
condições de circulação. Atividades humanas
como agricultura, indústria e urbanização
podem degradar sua qualidade. Dependendo da
sua natureza e localização espacial, os
aqüíferos podem ter maior ou menor grau de
vulnerabilidade, mas quando ocorre, a
poluição é de mais difícil e dispendiosa
remediação, entre outras razões, devido ao
fluxo lento (centímetros por dia) das águas
subterrâneas. A poluição da água subterrânea
pode ficar oculta por muitos anos e atingir
áreas muito grandes.
Sabe-se que as águas subterrâneas resultam
da infiltração das águas das chuvas,
portanto é necessário proteger essa ponta do
processo. Nos aqüíferos confinados o
reabastecimento ocorre somente nos locais
onde a formação portadora de água aflora à
superfície (zonas de recarga). Estas áreas
precisam ser preservadas. Nenhuma atividade
potencialmente poluidora deve nelas se
instalar, a exemplo de distritos
industriais, agricultura tradicional,
aterros sanitários, cemitérios, etc.
Já nos aqüíferos livres, a recarga é direta,
isto é, ocorre em toda a superfície acima do
lençol freático. Neste caso as medidas de
proteção podem variar de acordo com o
ambiente geológico e em relação as diversas
atividades poluidoras. Em lugares onde o
lençol freático for muito próximo à
superfície, o uso de fossas sépticas pode
ser pernicioso, porque o efluente não
inteiramente tratado é lançado diretamente
no lençol, contaminando-o.
Uma grande preocupação
são os postos de gasolina. Os casos de
vazamento em tanques ou na linha tem sido
comuns em qualquer parte do mundo. Segundo a
USEPA (Agência de Proteção Ambiental dos
Estados Unidos) os acidentes chegam a 1.000
por ano naquele país. No Brasil, estima-se
que existam 5.700 casos de vazamentos.
Soma-se aos vazamentos a contaminação de
cursos d’água e do solo resultante da
lavagem dos carros. Para evitar esses danos,
torna-se necessário a implantação de normas
técnicas, cercando de máxima
impermeabilização os tanques e pisos desses
postos e implantando drenagens e sistemas de
tratamento para os efluentes da lavagens de
carros.
Corrigir problemas resultantes do uso
inadequado pode demandar soluções
tecnológicas caras e muito tempo. Assim, os
meios mais econômicos e eficazes para
assegurar o suprimento de água subterrânea
limpa são a proteção e o cuidadoso
gerenciamento destes recursos.
fonte: www.drm.rj.gov.br
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